Sou trilhas de areia, um pouco vastidão de chapadas, pedras e cachoeiras; sou serras de ribeirões, seus vãos de abismos onde as borboletas azuis convidam à dança; sou as cheias dos grotões em desvairados transbordos; sou a sanha de insetos em flores de primavera; sou, enfim, toda solidão de rio, quando a noite é vinda e só os pássaros noturnos sobrevoam o cristal das águas.
sábado, 9 de dezembro de 2017
Epígrafe
Vagueio nas frias calçadas
a cata de algum olhar
acaso entornado, qual descuido:
migalhas que alimentam pombos
e minha fome de gente.
Entorno nas praças
a herança das muitas vezes
que catava lenha nas chapadas
para acender fogueiras
e aquecer o frio de meninos nus.
Colhi, nas muitas curvas
de meus justificados caminhos,
apêndices secos de árvores
para acordar sonhos dormidos
e fazer germinar minha história única.
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